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31 de março de 2016

Página no "Facebook"

Mais perto dos nossos amigos, numa página do "Facebook", agora que estão quase a acontecer as Exposições Retrospectivas de "António Soares" - esperamos o mais breve possível poder anunciar-vos a data da primeira exposição.

Vai ter lugar no Museu Nacional do Teatro e da Dança em... Janeiro de 2017 (?)...

Até lá... deixo-vos com a imagem, lindíssima, da "Dama de Violeta" (1921) que pertence à Casa Museu Leal da Câmara - um dos grandes amigos de António Soares...

http://www.patrimoniocultural.pt/pt/museus-e-monumentos/rede-portuguesa/m/casa-museu-leal-da-camara/

19 de agosto de 2014

Éramos assim, há vinte e cinco anos




Sem relacionar antecedentes nascidos da estreita convivência com jornais e jornalistas nem atribuir ao acometimento de algumas prozas e razoável número de bonecos publicados nos jornais, revistas e livros, nem tão pouco ao exercício de redactor artístico, num transitório diário matutino, a tendência e o gosto publicitário, mediado 1921, tudo me atraía no jornalismo e me incitava a formar planos, embora ilusórios, de fundar uma folha. Tinha então, além de vinte e sete anos, por companheiro e confidente de semelhantes manias Afonso de Bragança, fraterno e muito saudoso amigo.
Em pleno Chiado, mal floria nos escaparates a resplandecência das luzes eléctricas, pontuando na ladeira o crepúsculo vespertino, era certo encontrá-lo melancólico algumas vezes, mas sempre disposto a vagabundear comigo até de madrugada. Se também era certo, antes de nos conhecermos certa tarde no Café Martinho, embirrar comigo, depois até à derradeira despedida, indo ele para o Norte, nunca mais demos por tal. No tropel dos nossos agitados sonhos e tantas discussões escasseava o tempo na cogitação e na escolha das formas de acção mais verosímil e adequada aos projectos de uma reforma estética e de costumes, que então decidíramos empreender dispondo apenas da cumplicidade passiva do papel. E, claro está, dentre as inúmeras que meditávamos, sempre um jornal nos parecia a melhor; um jornal de feição mais literária, moderadamente anunciador consoante o equilíbrio de pecunia aconselhasse, adornado de gravuras e menos pançudo no fundo e na informação do que eram os órgãos da manhã, nessa época.
Quantas “maquettes” combinámos e desenhei? Não me recordo. Entre tantas, um dia, trabalhávamos a que viria a ser o “Diário de Lisboa”. O Afonso grita-me no Tavares a espantosa novidade: o Dr. Joaquim Manso, seu tão afectuoso amigo e como nós devaneador de reformas e novos jornais, paralelamente concebera o projecto duma gazeta e acolhera muito satisfatoriamente as linhas gerais da que trabalhávamos, ao que parece, bastante ajustadas às características da que ele próprio ideara.
O formato, principalmente, merecera-lhe inteira aprovação. Mas faltava ainda a peça de efeito, a chamada girandola final, que a seguir estrondeou nos meus ouvidos e quase me aniquilou de pasmo! O nosso ilustre amigo Dr. Joaquim Manso constituíra já a empresa editora, e desejava num próximo encontro aprazado para muitos breves dias apreciar os desenhos originais do cabeçalho, o traçado das páginas, e ainda o modelo de um cartaz destinado a anunciar ao público da capital e do resto do País a próxima aparição do futuro “Diário de Lisboa”, o jornal das cinco horas!
Rodaram no quadrante vinte e cinco dilatados anos. Controvérsias, dissídios, lutas de predomínio, bastante sofrimento e algumas lágrimas. No coroamento uma temerosa guerra como nunca se viu. Ruinas e luto.
Mas através de todas as vicissitudes os artífices do sonho sempre são capazes de empreender novas arquitecturas à simples metáfora, cavalgando geladas realidades. Pura geometria no espaço, ainda com propósitos de aliança entre o céu e a terra. Forjados no segredo das origens, novos “Zés do papel impresso”, se adoptar o diminutivo de um amigo nosso, se subordinarão ao mesmíssimo fatalismo dos prelos. Sem o seu auxílio, daquele meu amigo, visionário lúcido e talentosíssimo, de quem agora na rampa do Chiado não diviso a estirada silhueta, não possuiríamos entretecida com subtil e engenhoso humor, entre sentimental e sarcástico, a formosa esteira de preciosidades desdobradas no “Chá das Cinco”, e as suas rotinas, na maior parte perdidas por sómente as reter na memória.
No número dos raros que acarinharam ainda no berço o “Diário de Lisboa”, pareceu-me apropositado evocar os referidos sucessos. Mas seria injusto esquecer, sem uma única excepção, todos os trabalhadores que com inegável talento, dedicação e saber, promoveram o seu fortalecimento, com tanto êxito, como quando o corporizaram. Amigos todos que muito prezo a cujo sentimento de companheirismo me conservarei sempre grato. Em boa verdade, a minha insignificante interferência reduz-se praticamente a uma simplória cimalha que sem o poderoso concurso do seu esforço e a superior direcção do seu fundador e meu benevolente amigo Dr. Joaquim Manso, a quem presto calorosa homenagem e felicito do coração, teria decerto abatido, e não observaríamos hoje com fundo regozijo a rodagem em movimento do mostrador do tempo, como no das rotativas a contagem dos exemplares, a soma esperada de mais virtuosos aniversários.

Pintor António Soares
in DIÁRIO DE LISBOA, 6 de Abril de 1946

Este artigo, escrito pelo próprio António Soares na comemoração dos 25 anos do diário vespertino lisboeta, relembra a génese do "Diário de Lisboa" , e presta uma sentida homenagem ao seu grande amigo, o jornalista Afonso de Bragança. Entende-se por isso a intransigente defesa que o Dr. Joaquim Manso sempre fez do cabeçalho do "Diario de Lisbôa". Em 1921, a grafia correcta era esta (sem acentuação obrigatória nas palavras exdrúxulas, e com acento circunflexo no "ô" de Lisboa) e ele não admitia que se alterasse um desenho do António Soares, com quem sempre manteve uma profunda amizade...

28 de março de 2013

Os Quadros da Brasileira do Chiado

Em 1921, António Soares é convidado a participar e acaba a coordenar a distribuição dos temas para os quadros da Brasileira do Chiado, pelos vários colegas / colaboradores, e realiza dois quadros que contêm pessoas da sociedade lisboeta da época e que eram habitués a frequentar a Brasileira. Um dos quadros representa elementos femininos (Botequim) e o outro, elementos masculinos (Cena de Café) - sabemos que um deles está, hoje em dia, numa colecção particular em Lisboa (este quadro - o das figuras femininas ainda não foi encontrado). Os dois quadros serão apresentados no I Salão de Outono da Sociedade Nacional de Belas Artes em 1925.  
No quadro dos elementos masculinos, começa por esboçar o perfil de Fernando Pessoa mas este, depois de questionado, pede delicadamente a António Soares que não o inclua no grupo, até porque o café que frequentava mais assiduamente era o "Martinho da Arcada". Julgamos nós que seria por convicções pessoais, por não gostar de ser retratado, ou por pertencer aos "Rosa-Cruz". 
António Soares, porque dedica a Fernando Pessoa um grande respeito e amizade acaba por aceder ao pedido do amigo e retira a sua imagem do quadro, não sem antes fazer uma fotografia, que aparece abaixo, absolutamente datada pois a criança que está à frente do quadro é a irmã de António Soares, Judite, que teria à data cerca de 10 anos.

Fica aqui a fotografia, inédita:


(foto colecção da Família de António Soares)